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Chiquinho Escórcio volta a defender a criação do Maranhão do Sul

11/04/2011 às 01:54 em Sem categoria

Para quem não conhece a atuação do deputado Chiquinho
Escórcio, quais são os seus principais projetos?

Quando fui Senador da República eu deixei, em um período de oito meses, uma gama de projetos. 

 
Projetos audaciosos, como a criação do estado do Planalto Central; o Corredor Centro-Norte de Desenvolvimento, que contempla essa região; acabar com o segundo turno das eleições; a criação da Bolsa Escola; a criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que era Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), que é de minha autoria e foi aprovado por unanimidade no Senado da República.
 
Eu agora chego com mais experiência, com maior quantidade de projetos que eu posso trazer para o Brasil e para o Maranhão.

Por que você acha interessante a proposta de
acabar com o segundo turno das eleições?

Nós temos uma população que não está suficientemente educada para entender essa questão do segundo turno. Todo segundo turno em nível nacional, por exemplo, o país para para ver uma negociata que, às vezes, para poder ganhar, as pessoas vendem até a própria mãe. 

 
Isso não é válido para um processo democrático em que se quer ver a coisa limpa. Às vezes, pelo fato de termos essa negociação em busca do poder, acabamos prejudicando a ética, e nós não estamos ainda preparados para isso.

Mas nas últimas eleições para a presidência, a candidata Marina Silva
(PV) optou por ficar neutra. Essa atitude não destoa da sua ideia?

A Marina [Silva] ficou neutra, mas será que o partido como um todo, a parte da conjuntura política, ficou neutra? Não!

 
A neutralidade foi da pessoa dela [Marina]. Aí eu pergunto: será que não ocorreram propostas de um lado e de outro para que houvesse uma confirmação da Marina em torno de A ou de B?

Um dos seus projetos atuais é disponibilizar, à população
de Imperatriz, o serviço de transporte de trem  de passageiros). Fale sobre essa proposta.

Nós já tivemos isso. E a população cresce. Cresce a população A, a população B e a população C. O trem de passageiros pode contemplar esta população [C], a população carente e que precisa que nós olhemos para ela.

 
Não é só a questão da Vale usar nosso território, usar nossas riquezas e não deixar nada no social, e isso faz parte do social. Vou lutar para isso, para que nós tenhamos aqui um trem de passageiros.

O senhor é favorável à vinda do curso de Medicina
em Imperatriz. Como essa meta pode ser alcançada?

Nós temos uma carência grande de médicos no país. A população está sentida por conta dessa assistência médica. Hoje nós temos municípios aqui em que um estudante de Medicina, para fazer a residência, está ganhando o salário de 11 mil reais, e eles não querem ir para o interior.

 
A lei de mercado diz que se nós tivéssemos uma grande oferta de médicos, talvez esse preço caísse. E quem é que tem que “produzir”?
É o Estado. É o Estado que tem que fabricar uma grande quantidade de médicos. Como é que nós podemos aceitar que Araguaína, tão próximo, tenha faculdade de Medicina e um polo importante como é Imperatriz não tenha, se é a segunda cidade do Maranhão? A [universidade] federal não vem, a [universidade] estadual não vem, a iniciativa privada não pode vir, porque nós não temos aqui a residência médica… Nós temos que tomar uma posição. A governadora, na última reunião que tivemos com os ministros da Saúde e da Educação, pediu que nós tivéssemos aqui uma escola federal de Medicina, e eu perguntei na oportunidade: “Por que não abriu campo para a iniciativa privada também?”. Eu pergunto, aquele polo que foi começado por mim, que peguei na mão do Antônio Leite e trouxe para cá a Facimp [Faculdade de Imperatriz], e esta proporcionou que as outras viessem, não foi bom para a região? Não foi bom para o país? Não foi bom para Imperatriz? Não foi bom para todo o mundo? É porque ainda não dimensionaram a estrutura que essas faculdades, todas elas, deram para o impulso dessa região. Foi importante demais. Quando se investe em educação, nós temos um resultado prático positivo fantástico. É isso que eu venho pedir… que eu venho exigir, em nome da população, que nós montemos, urgentemente, os cursos que estão faltando nessa região.

Você falou sobre a saúde mas, se analisarmos, o sistema
penitenciário e a educação também passam por uma situação difícil
no Maranhão. Há alguma proposta para a mudança desse quadro?

Quem conhece a história do Maranhão percebe que o Maranhão é um estado grande, com uma população pobre e há uma situação em que você tem que cobrir o estado como um todo. 

Eu não posso entender que um estado como é o Maranhão receba o menor repasse per capita na área da saúde do país. Nós não podemos aceitar isso, tanto é que nós estamos reformulando, junto ao governo federal, a possibilidade de o Maranhão ter um sistema de saúde adequado à população, e não somente o que estamos recebendo. Nós temos que ampliar esse repasse federal. Para isso, nós temos que fazer projetos, a governadora tem que fazer aquilo que ela fez, investir na saúde para ter a parceria do governo federal. A educação já cresceu muito, porque nós tivemos o nascimento do Fundef, que virou Fundeb. Então, de qualquer maneira, nós estamos contemplando a educação. Já melhorou muito. No passado, nós tínhamos professores que ganhavam menos do que um salário mínimo e, às vezes, não recebia [seu salário] porque o prefeito não tinha condições de pagar. Hoje não, tem um piso da educação, e ninguém pode ganhar menos que esse piso, e é garantido o dinheiro da educação pelo Fundeb. Melhorou? Melhorou. Olhe os indicadores do governo Lula. Melhorou o Brasil inteiro, por conta dos fundos sociais que foram criados e de uma série de outras coisas. Nós pegamos carona nisso. O Maranhão não está no patamar que nós queremos. Nós queremos o patamar de uma qualidade de vida melhor, qualidade essa que possa nos orgulhar. Para isso, nós estamos lutando. Se eu fizer a minha parte, colocando um tijolinho nessa construção, eu tenho certeza que, em pouco tempo, verei as paredes começarem a subir e as coisas começarem a melhorar.

Qual a sua posição em relação à greve dos professores do estado?

Eu acho que existe uma greve que é abusiva e tem outra que é justa. Quem vai discutir a legalidade da greve não sou eu. 

 
Já tem uma determinação judicial, e essa determinação não se discute, tem que se cumprir. Mas eu não posso dizer que seja contra a greve. Não. Eu sou contra a greve quando ela é abusiva.

Por que você decidiu solicitar que o projeto
do Maranhão do Sul fosse desarquivado?

Não se pode frustar a população do sul do Maranhão. Vejo que uma bandeira foi erguida, que uma semente foi plantada, e essa semente é um sentimento profundo, não de uma separação, mas de uma conquista: a criação do estado do Maranhão do Sul. 

 
Eu, como político, não posso admitir que o querer de uma população se engavete. Esse projeto não é de minha autoria, é de autoria do ex-deputado Sebastião Torres Madeira. Eu pedi a celeridade e o desarquivamento do projeto para fazer com que esse projeto chegue ao ponto de ser discutido o plebiscito.
 
No plebiscito nós temos duas partes, a parte que será desmembrada e a parte que fica. É como se fosse o estado-mãe. Vai ser feito o plebiscito com as duas populações, a que sai e a que fica. Quem deve decidir isso não é a classe política, quem deve decidir isso é a população. 
 
É nesse estágio que eu quero deixar. O meu compromisso é chegar até aí. Eu vou me engajar para que o desejo dessa população não seja frustrado.

Você poderia ter feito um novo projeto para
a criação do Maranhão do Sul. Por que
optou por pedir o desarquivamento do projeto já existente?

Eu podia ter feito um novo projeto, mas eu não acho que isso seja adequado, até porque temos que respeitar as pessoas. A ideia não é minha, ela já existe, estava em discussão. 

 
Já tem uma bandeira plantada. Ao invés de tomar a autoria de alguém, eu prefiro respeitar esse alguém. Por isso que pedi, apenas, a celeridade e que fosse desarquivado. Eu tenho o interesse que esse projeto vá até o plebiscito.

Qual a dificuldade de fazer com que
esse projeto chegue até o plebiscito?

É uma dificuldade política. Há pessoas que querem e pessoas que não querem, isso faz parte do parlamento. Eu vou vestir a camisa e vou tentar colocar a celeridade, para que esse processo ande, por isso eu tive essa iniciativa.
 
Qual o posicionamento dos demais deputados
em relação ao Maranhão do Sul?

Tem uma corrente que é contra a criação de novos estados e novos municípios. Eu sou da corrente favorável, mas com responsabilidade. Eu faço uma colocação: João Lisboa era ligada a Imperatriz; após a separação, João Lisboa ficou melhor ou pior? Lá havia um vácuo de poder que foi preenchido. Itinga, Senador La Rocque, Cidelândia, todos saíram daqui. 
Será que não estão melhor do que quando eram ligados a Imperatriz? Deixo a pegunta para que a população responda. No caso de estados, temos a experiência do Tocantins, que era a parte pobre de Goiás e, hoje, é o orgulho do Brasil, porque é um estado pujante. 
Se nós unirmos o PIB [Produto Interno Bruto] de Goiás com o PIB do Tocantis, quem ganhou foi o Brasil e, consequentemente, os brasileiros. 
Eu também vejo o caso de Mato Grosso, o caso daqueles territórios que passaram a ser estados. Por que não seria bom para o Maranhão? Temos que fazer para ver o resultado. 
O estado ainda não foi criado. Não sabemos se será.
Mesmo assim, na sua opinião, que cidade seria a melhor escolha para
capital do Maranhão do Sul? Ou seria melhor construir uma capital?
Nós não podemos falar em capital. Primeiro temos que fazer o estado, depois vamos discutir a capital. Se colocarmos isso agora, começa a divisão, porque cada um vai puxar para o seu [lado]. Se colocarmos agora, cada um vai querer ser capital, e cada um vai ter um argumento para justificar o porquê de ser capital. Imperatriz é uma cidade polo, mas eu vejo outras coisas também. O movimento maior foi deflagrado em Imperatriz.

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