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Prefeito da cidade francesa de Cancale visitará Cametá/PA no início de abril

27/03/2024 às 18:19 em Sem categoria
Prefeito cancalês Pierre-Yves Mahieu. (Foto: Divulgação)

O chefe da prefeitura bretã repetirá o feito do fundador de São Luís, Daniel de La Touche, que esteve em Cametá e Pacajá em 1613, quando reuniu milhares de tupinambás em seu entorno.

No próximo dia 1⁰ de abril de 2024, a aconchegante cidade de Cametá, localizada na margem esquerda do rio Tocantins, receberá uma delegação francesa vinda da cidade de Cancale, localizada a nordeste da região da Bretanha, na Baía de Mont Saint-Michel.

A comitiva será chefiada pelo prefeito cancalês Pierre-Yves Mahieu, que estará acompanhado da esposa Fabienne Mahieu e do assessor Patrick Duval.

Escritor e historiador, Antônio Roberto. (Foto: Divulgação)

Em 2023, o escritor e palestrante Antonio Noberto e o vereador de São Luís, Aldir Junior, participaram de um evento de três dias nas cidades de Saint-Malo e Cancale em homenagem ao fundador de São Luís, Daniel de la Touche, Senhor de la Ravardière.

Na oportunidade, entre troca de medalhas e confraternização no porto de la Houle, em Cancale, Pierre-Yves Mahieu avisou que visitaria o Maranhão em 2024. Desde então, o escritor Noberto e o vereador de São Luís, Aldir Junior, se empenharam em abrir caminho para a visita do prefeito francês e para a sua comitiva.

A viagem de la Ravardière à região amazônica teve início no dia 8 de julho de 1613 ao partir do Forte São Luís (atual Praça Pedro II) no centro histórico da capital maranhense. Em seguida aportou em Cumã (atual Guimarães) e entre os caetés (Bragança/PA) por quase dois meses, sendo esta presença o marco fundacional de Bragança, primeira cidade do estado paraense. Em seguida, foi até Cametá e Pacajá, mantendo contato e boas relações com os indígenas. Toda esta saga consta da obra “Viagem ao norte do Brasil” escrita pelo padre francês Yves d’Evreux, superior da missão, que residia no Maranhão.

Cametá – Segunda Cidade do Pará

O município de Cametá comemora a fundação no dia 24 de dezembro de 1635, quando foi elevado à condição de vila. Por outro lado, considerando que grande parte dos municípios brasileiros adotam como data de fundação a passagem de um personagem enviado oficialmente por uma coroa européia, Cametá desde muito já deveria ter adotado a data de 8 de julho de 1613, quando Daniel de la Touche de la Ravardière partiu da cidadela São Luís (atual Praça Pedro II) marco zero do estado do Maranhão, e rumou para a região amazônica, onde passou mais de mês com os caetés, sendo este evento o marco da fundação de Bragança/PA e, em seguida, Cametá e Pacajá.

A ameaça portuguesa no Maranhão fez la Ravardière retornar ao Forte São Luís deixando alguns franceses comandados por dois imediatos na região: De la Branjartierre e De Bault, que permaneceram longo período entre os tupinambás.

A adoção da data de 1613 como marco de fundação é uma questão de justiça à única cidade brasileira que mantém uma linguagem digamos que “meio afrancesada”, onde alguns ainda falam “Dejá me vou” e outros (quando estão em Belém): “Eu vou para a França”, referindo-se a Cametá. E quem não conhece o hit: “Vu pra Cametá”, cantado pela Banda Paranóia.

A visita a Cametá pelo prefeito francês da cidade de Cancale, de onde Daniel de la Touche partiu com uma esquadra de três navios e cerca de 500 homens em março de 1612, representa a renovação de uma aliança quase perdida entre bretões, normandos e os povos originários do imenso estado do Pará. Representa também um incentivo cultural e uma maior possibilidade do primeiro mundo conhecer melhor esta que é a Cidade das águas, de tanta diversidade, cultura, costume e tradições.

Quando fizemos incursões de São Luís a Cametá, o prefeito Victor Cassiano abraçou de imediato a ideia de abrir caminho para o prefeito Pierre-Yves Mahieu e a comitiva que o acompanha, de conhecerem Cametá e o seu povo, além da riqueza dos costumes e das tradições locais.

No próximo dia 1⁰ de abril, após recepção pelo prefeito de Belém, a comitiva francesa vai partir da capital do Pará cantando: “Vu pra Cametá!”.

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